Guia completo e resumido sobre estilo de vida saudável para controle e prevenção da Hipertensão Arterial

Esse é um guia prático e importante para prevenção ou tratamento da Pressão Alta (Hipertensão Arterial).

Sabemos que no Brasil o controle da Hipertensão Arterial é considerado baixo, somente 20% dos pacientes apresentam controle adequado. Adotar as medidas descritas abaixo, vai aumentar as chances de manutenção da sua saúde, ajudando a prevenir o aparecimento precoce de doenças arteriais e cardiológicas, como Infarto, Insuficiência Cardíaca, Acidente Vasculares Cerebrais (AVC), arritmias, Insuficiência Renal, entre outras.

Ações fundamentais que podem ajudar a reduzir a Pressão Arterial incluem:

  • Controle do Peso
  • Redução no consumo de sal
  • Mudanças de dieta
  • Reduzir o consumo de álcool
  • Reduzir o estresse/ansiedade
  • Se exercitar regularmente
  • Melhorar a qualidade do sono
  • Evitar uso de remédios ou estimulantes que aumentam a pressão arterial

 

Vamos ao nosso guia completo:

 

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Caso clínico #04 – O chá chinês – O chá para emagrecer – Infarto e PCR

Hoje houve uma coincidência tão grande que estou aqui acordado (meia noite) escrevendo mais um relato de caso que julgo ser útil para alertar sobre o perigo de determinados medicamentos para emagrecer.

Na noite anterior, em um jantar familiar, com 04 médicos na mesa, é natural surgirem assuntos relacionados a casos médicos. Eis que um dos cardiologistas conta um caso real:

Certo dia, estava cortando cabelo com mesmo cabeleireiro de muitos anos, no mesmo lugar de sempre. Terminado o corte, fez o pagamento e saiu. Parecia mais um dia comum, porém logo o cabeleireiro veio correndo gritando por ajuda. Ao retornar a sala de corte, um cidadão obeso, estava estendido no chão. Tentou checar o pulso, mas estava sem pulso, uma parada cardiorrespiratória. O médico em questão (prefiro não citar nomes), um cardiologista renomado na cidade, iniciou a RCP e aguardou a chegada no SAMU. O indivíduo, que sinceramente não sei o nome, mas vou chamar de Roberto, ficou internado e depois resolveu passar em consulta com o próprio cardiologista em questão.  Eis que ao ser questionado sobre se estava tomando algum medicamento ou usando alguma droga que pudesse ter levado a parada cardiorrespiratória, o Roberto disse que não estava usando nada, disse que não bebia, não fumava, que somente estava usando um chá chinês para emagrecer.

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Isso aconteceu ontem a noite, e por coincidência fiz essa consulta hoje:

História Clínica Principal do caso Lucarelli:

Como conheceu a Clinica:

  • Site Unimed

Primeira consulta em:

  • Janeiro de 2020

Queixa principal:

VEIO PARA SEGUIMENTO CARDIOLÓGICO – APÓS INFARTO EM 2012
DADOS PESSOAIS:

Caso clínico #03 – Gabriel Rios

Hoje vou descrever um caso que ilustra bem o que é a prevenção que realizamos no dia a dia do consultório cardiológico. Paciente jovem, filho de médico, veio para check-up.

Detalhei toda a consulta.

Logicamente como sempre, escondi a identidade verdadeira criando um outro nome. Todo o restante da história é verídica.

Realizou um Teste Ergométrico que veio alterado. Foi optado por prosseguir a investigação com uma Angiotomografia de Coronárias.

Está no momento aguardando um cateterismo cardíaco.  Independente do cateterismo cardíaco, já sabemos o que é importante no tratamento do Gabriel Rios e até fiz duas possíveis evoluções, uma que eu acredito que vai acontecer, no caso de uma boa aderência ao tratamento e outra evolução que seria no caso de não ter procurado tratamento e/ou não ter descoberto o seu problema de saúde.

Vamos a história clínica detalhada. (Tempo de Leitura aproximado – 14 minutos)

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Primeira consulta em:

Outubro de 2019

Caso Clínico #02 – Henrique Braga

DEZEMBRO DE 2019

Esse é um caso cardiológico de ocorrência rara. Por coincidência atendi o paciente logo após ter escrito dois artigos sobre a importância do Teste Ergométrico.

E também por coincidência, escrevi a pouco tempo, o caso do Soldado Ryan que teve uma parada cardíaca ou morte súbita revertida durante um treino, e enumerei no artigo as diversas causas cardiológicas de morte súbita.

 

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Vamos ao caso:

No intuito de preservar a identidade do paciente vou lhe escolher um nome aleatório: Henrique Braga, 24 anos.

– Aqui estão os detalhes da consulta –

Queixa principal:

Refere que nunca foi no cardiologista e gostaria de fazer exames gerais -sic-

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Liraglutida – Precauções de uso

 

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Este texto tem por objetivo, orientar precauções sobre o uso da Liraglutida para o tratamento de obesidade, nome comercial Vic toza® e Sax enda®.

Não vou me referir sobre o uso no tratamento da diabetes que é um assunto a parte!

É um medicamento que se bem indicado, pode levar a benefícios, porém como todo medicamento, deve ser prescrito e acompanhado por um médico, na minha opinião, de preferência um endocrinologista. Tenho o intuito de alertar contra o uso por conta própria, sem o devido acompanhamento médico, pelo risco de efeitos adversos.

Em determinada época virou moda e muitas pessoas estavam usando por indicação de colegas e amigos. Dessa forma ao longo desse texto, sendo bem objetivo, vou mostrar porque o tratamento merece acompanhamento médico.

Mais uma vez reforço, que eu como cardiologista, até prefiro que o paciente acompanhe com um endocrinologista que já é um profissional que usa na sua rotina o Liraglutida para tratamento de diabetes e também para o tratamento de obesidade.

 

Alguns parâmetros a serem monitorizados

  • Glicemia
  • Hemoglobina glicada
  • Função Renal – Creatinina e Uréia –
  • Sinais e sintomas de pancreatite
  • Triglicérides
  • Sinais e sintomas de colecistopatia
  • Início ou piora de depressão
  • Pensamentos de auto-extermínio
  • Mudanças comportamentais
  • Frequência Cardíaca
  • IMC

 

Precauções e alertas:

Efeitos cardiovasculares: O aumento da frequência cardíaca em repouso tem sido observado desde os estudos iniciais do medicamento. Uma monitorização é recomendada. Descontinuar o uso em pacientes que apresente um aumento significante e sustentado da frequência cardíaca de repouso.

Doença da Vesícula: O uso do medicamento pode aumentar o risco de cálculos vesiculares e doença das vias biliares. Colelitíase e Colecistite tem sido reportado em pacientes recebendo liraglutida, com a maioria dos pacientes necessitando de hospitalização ou cirurgia de colecistectomia.

Sintomas gastrointestinais: As reações mais comuns são relacionados aos sintomas gastrointestinais. Esses sintomas podem ser doses dependentes e podem diminuir de intensidade com um aumento gradual da dose e com o passar do tempo. Pode ser necessitário descontinuar o uso se ocorrer depleção de volume em decorrência de diarreia, náuseas e vômitos.

Reações de hipersensibilidade: assim como a maioria dos medicamentos, podem ocorrer reações de hipersensibilidade, incluindo angioedema e anafilaxia.

Pancreatite: Casos de pancreatite aguda e crônica (incluindo fatal e não-fatal, hemorrágica ou necrotizante) tem sido reportados. É importante monitorizar sinais e sintomas de pancreatite (ex: dor abdominal acentuada e persistente que pode irradiar para costas, acompanhado ou não de vômitos).

Efeitos psiquiátricos: Evitar uso em pacientes com história de tentativas de suicídio prévias ou comportamento de risco.

Efeitos renais: Insuficiência Renal Aguda e piora de função renal na Insuficiência Renal Crônica (incluindo casos graves que necessitaram de dialise) tem sido reportados. Alguns casos foram reportados em pacientes sem lesão renal conhecida previamente. Os casos foram principalmente reportados em associação com vômitos, diarreia ou desidratação.

 

Reações adversas no tratamento de liraglutida para obesidade. 

Incidência > 10%

Aumento da frequência cardíaca (> 10 bpm comparado a frequência antes do uso) – 34%

Aumento da frequência cardíaca (> 20 bpm comparado a frequência antes do uso) – 5%

Cefaléia ou dores de cabeça – 14%

Hipoglicemia – em paciente não diabéticos – 2 a 3%

Náuseas – 39%

Diarréia – 21%

Constipação – 19%

Vômitos – 16%

Reações a injeção no local – 3 a 14%

 

Incidência de 1% a 10%

Taquicardia: 6%

Fadiga e tontura: 7 a 8%

Prurido no local da injeção ou rash cutâneo: 1% a 3%

Distensão abdominal: 5%

Dor abdominal: 5%

Doença do refluxo gastroesofágico: 5%

Aumento de lipase: 2 a 5%

Colelitíase: 2%

Xerostomia: 2%

Infecção urinária: 4%

 

Mecanismo de ação:

Liraglutida é uma análogo de longa duração do GLP-1 (human glucagon like peptide-1, um hormônio, que aumenta a secreção de insulina dependente de glicose, diminui a secreção inapropriada de glucagon, aumento o crescimento e replicação das células Beta, diminui o esvaziamento gástrico, e auxilia na diminuição da ingestão alimentar.

A administração de liraglutida resulta em uma diminuição da hemoglobina glicada em aproximadamente 1%.

 

 

Posts relacionados:

Exercício Físico no Tratamento e Prevenção de Hipertensão

Dieta e saúde

 

 

 

Caso Clínico #01 – O Soldado Ryan

Após 12 anos de formado com mais de 30.000 atendimentos, incluindo muitos atendimentos de urgência e emergências, algumas histórias foram marcantes na minha profissão de médico, além de fornecerem importantes lições.

 

Caso número #01 – O Soldado Ryan

Soldier salute at sunset

Vou voltar no meu primeiro ano após o término da faculdade, em 2008.

Nessa época, minha vida melhorou, consegui (com sorte e muita felicidade) a única vaga de médico do Exército em Ribeirão Preto na 5ª CSM, e estava fazendo meu treinamento militar inicial em Pirassununga no 13º Regimento de Cavalaria Mecanizado.

Certo dia recebo um comunicado urgente do Exército. Eu deveria retornar imediatamente a Ribeirão Preto. Motivo => Um soldado havia tido uma Parada Cardiorrespiratória (PCR) durante o treinamento físico.

Sim, era isso, não tinha entendido errado: Um jovem de 18 anos, tinha tido uma Morte Súbita Revertida durante o exercício físico.

 

Como ocorreu esse evento trágico?

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Teste Ergométrico – Entendendo os parâmetros do Teste de Esteira

Qual o Tempo médio do Teste Ergométrico?

Em geral, o médico escolhe um protocolo que permita um tempo de esforço até chegar a exaustão em cerca de 08 a 12 minutos, ou seja, em média 10 minutos.

Se você correu menos do que 08 minutos, talvez você esteja fora de uma boa forma física ou talvez você não realizou seu esforço máximo ou talvez o protocolo escolhido tenha sido pesado para você.

Se você correu mais do que 12 minutos, é provável que você está em excelente condicionamento físico, acima da média da população da sua idade.

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Qual a Frequência Cardíaca Mínima a ser atingida durante o Teste Ergométrico?

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O que é o Teste Ergométrico?

 

O Teste Ergométrico é também conhecido como Teste de Esforço ou Teste de Esteira.

 

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O teste ergométrico consiste na avaliação do comportamento cardiovascular, quando submetido a esforço físico gradualmente crescente, em esteira rolante. Durante o exame, é realizada a monitorização contínua do eletrocardiograma, da frequência cardíaca, da pressão arterial e dos sintomas do paciente.

 

Quais as Indicações para teste ergométrico?

 

O teste ergométrico é amplamente utilizado atualmente, tanto para diagnóstico de doenças cardíacas, quanto na avaliação para prática de atividades esportivas.

Dentre as principais indicações, podemos destacar:
  • Diagnóstico de doença arterial coronariana (“entupimento” das artérias do coração);
  • Detecção de arritmias cardíacas induzidas pelo esforço;
  • Avaliação de capacidade física;
  • Avaliação do comportamento da pressão arterial durante o esforço;
  • Estabelecer o risco de complicações futuras de determinadas doenças cardiovasculares (valor prognóstico);
  • Avaliar objetivamente o resultado de intervenções terapêuticas.

 

Como é feito o Teste?

O teste ergométrico é realizado em esteira ergométrica, com incremento progressivo na intensidade de exercício, sempre se iniciando com uma caminhada leve. Utilizam-se protocolos (programas que determinam a forma de acelerar e/ou inclinar a esteira), de acordo com as características clínicas do paciente.

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Qual melhor horário para tomar anti-hipertensivos?

Um estudo publicado recentemente pela European Society of Cardiology (Sociedade Europeia de Cardiologia), nos ajuda a responder essa pergunta.

O estudo acompanhou 19 mil pacientes com Hipertensão Arterial, com o objetivo de comparar o uso de anti-hipertensivo  bedtime (na hora de dormir) com o tradicional uso pela manhã ao acordar.

A conclusão do estudo foi:

A ingestão diária de pelo menos um anti-hipertensivo bedtime (antes de dormir), em oposição ao tratamento tradicional pela manhã ao acordar, resultou em vários benefícios, e diminuiu de forma significativa a ocorrência de eventos cardiovasculares (infarto do miocárdio, AVC, insuficiência cardíaca e mortes cardiovasculares).

Bedtime hypertension treatment impoves cardiovascular risk reduction

Qual foi a redução do risco relativo de eventos cardiovasculares observada no estudo (Trial) em questão?

 

The Hygia Chronotherapy Trial teve como resultado:

 

  • Morte cardiovascular: 56% redução relativa de risco
  • Infarto do miocárdio: 34% redução relativa de risco
  • Necessidade de revascularização miocárdica (cirurgia ou implante de stents): redução de 40% redução relativa de risco
  • AVC: redução de 49% redução relativa de risco
  • O uso dos medicamentos anti-hipertensivos à noite esteve associado a uma redução significativa de eventos cardiovasculares (45 % de redução relativa de risco no desfecho composto de morte cardiovascular, infarto, acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca, ou revascularização coronária)

 

Para maiores detalhes, principalmente para médicos, disponibilizarei o estudo completo, publicado em Outubro de 2019 no European Heart Journal | Oxford Academic pela Sociedade Europeia de Cardiologia nesse – link – Cardiovascular risk reduction – The Hygia Chrnotherapy Trial

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