Teste Ergométrico – Entendendo os parâmetros do Teste de Esteira

 

Qual o Tempo médio do Teste Ergométrico?

Em geral, o médico escolhe um protocolo que permita um tempo de esforço até chegar a exaustão em cerca de 08 a 12 minutos, ou seja, em média 10 minutos.

Se você atingiu bem menos do que 08 minutos, podem ter ocorrido 03 alternativas principais:

  • Você não está com um bom condicionamento físico, ou
  • Você não se esforçou no seu máximo, ou
  • Talvez o protocolo realizado tenha sido pesado para você

Se você atingiu próximo a 12 minutos ou mais, é bem provável que você está em excelente aptidão física, acima da média da população da sua idade.

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Qual a Frequência Cardíaca Mínima a ser atingida durante o Teste Ergométrico?

Depende da idade. De maneira geral, a frequência cardíaca máxima diminui com a idade. 

Primeiro estimamos a Frequência Cardíaca Máxima através da Fórmula: FC máxima = 220 – idade.

Exemplo => Paciente de 36 anos => FC máx = 220 – 36 (idade) = 184 bpm

Para o Teste ser considerado eficaz deve-se atingir 85% da FC máxima. No caso do exemplo acima seria 156 bpm (que representa a FC máxima x 0,85)

Em resumo, um paciente de 36 anos precisa atingir uma Frequência Cardíaca de 156 batimentos por minutos para o teste ser considerado eficaz.

 

O Teste Ergométrico ajuda a estimar minha Aptidão Cardiorrespiratória?

Sim.

Automaticamente, através da análise de sua idade, sexo masculino ou feminino, inclinação da esteira, velocidade atingida, entre outras variáveis,  será calculada a Aptidão Cardiorrespiratória.

As classificações são:

  • Fraca
  • Regular
  • Boa (Recomendado)
  • Excelente (Recomendado)

Além disso, também é estimada a capacidade de exercício através dos METs

 

Doutor, o que é MET?

O termo MET vem do inglês Metabolic Equivalent of Task

1 MET é equivalente ao consumo de O² em repouso em uma posição sentada.

Além disso 1 MET é equivalente ao consumo de O²  de 3.5ml/Kg por minuto.

Para entender melhor vamos fornecer alguns exemplos:

Se você estiver sentado em repouso, você está em um esforço de 01 MET.

A medida que o esforço aumenta, gera um maior consumo de Oxigênio, com necessidade de aumentar a ventilação pulmonar e aumentam os METs

Exemplos:

Tomar banho – Fazer a barba – Vestir – Conduzir um veículo = 3 METs

Caminhar a 5 ou 6 km/h – Bicicleta em terreno plano – Limpar janelas = 3 a 5 METs

Subir escadas em uma velocidade moderada – Correr a 8 km/h = 7 a 9 METs

Subir escada rápido – Correr a 9,7 km/h – Squash – Basquete Vigoroso = 10 METs ou mais

Somente em termos de curiosidade, os maiores valores de METs dos últimos anos de exames realizados na nossa Clínica até 2018 foram:

Homens: 18 METs (02 Atletas Profissionais de Futebol e um Médico).

Mulheres: 16-17 METs (Uma Atleta que compete em nível mundial).

Em 2019, um corredor amador surpreendentemente fez 21 METs e uma corredora de longa distância fez 18 METs (maior marca de METs atingido por mulheres na nossa clínica).

 

Qual a IMPORTÂNCIA prática do MET e da Frequência Cardíaca?

A capacidade de atingir 10 METs e uma FC de 160 bpm em um teste ergométrico que não tenha alterações de isquemia ou arritmias cardíacas complexas confere um excelente prognóstico.

Um estudo mostrou que atingindo os valores acima, desde que não tenha alterações de isquemia, o seguimento em 12 meses livre de eventos cardiovasculares foi maior do que 99%.

 

Doutor, quais outros dados são avaliados no Teste Ergométrico?

Além da Capacidade Funcional, Aptidão Cardiorrespiratória, Frequência Cardíaca são avaliados o comportamento da Pressão Arterial no esforço físico, o surgimento de sintomas, arritmias e sinais de isquemia miocárdica.

 

Qual a importância de avaliar as Arritmias no Teste Ergométrico?

As arritmias cardíacas surgidas no esforço físico ou até mesmo na recuperação são de extrema importância. Há dados que mostram que mesmo arritmias muitas vezes consideradas benignas como as extrassístoles, se ocorrerem de maneira frequente ou de forma complexa, podem indicar risco cardiovascular aumentado.

Um estudo mostrou que extrassístoles ventriculares frequentes foram associadas a maior risco em um acompanhamento de 05 anos.

Exemplo: um estudo que acompanhou 29 mil pacientes durante 05 anos mostrou um risco relativo de mortalidade 50% maior no grupo que teve extrassístoles ventriculares frequentes, definidas como 07 ou mais extrassístoles ventriculares por minuto, bigeminismo ventricular, trigeminismo ventricular, extrassístoles ventriculares pareadas, TVNS, principalmente se ocorreram após o esforço físico, ou seja, durante a recuperação.

Levando em consideração os dados acima, além do esforço físico, torna-se importante, continuar a monitorização eletrocardiográfica durante a recuperação pelo tempo recomendado pelas diretrizes de cardiologia.

 

Por fim, mas não menos importante, o Teste Ergométrico tem a capacidade de detectar Isquemia. Mas o que seria uma Isquemia?

Imagem ilustrativa de Placas Ateroscleróticas. Entupimento de artérias do coração
Imagem ilustrativa de Placa Ateromatosa

Isquemia miocárdica é um termo médico empregado para descrever o sofrimento do músculo cardíaco, em decorrência da oferta inadequada de sangue e consequentemente oxigênio (O²). Um exemplo que pode gerar isquemia seria a presença de placas de ateroma obstruindo as artérias que irrigam o coração. Em outras palavras, um “entupimento” de uma ou mais artérias do coração, pode gerar uma isquemia, durante ou após o esforço físico.

Um ponto importante para se levar em consideração é que em um processo de isquemia a alteração do eletrocardiograma surge antes mesmo da dor.

Em outras palavras, um princípio que torna o teste ergométrico um exame tão importante na cardiologia é a capacidade de detectar isquemia, mesmo antes do surgimento de sintomas.

 

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NOTA ADICIONAL: esse foi um post mais detalhado e avançado em relação ao Teste Ergométrico, se você quiser ler um texto mais básico e explicativo sobre como é realizado o exame, verifique o seguinte post: Teste ergométrico – Entendendo os parâmetros do Teste de Esteira

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3 comentários sobre “Teste Ergométrico – Entendendo os parâmetros do Teste de Esteira

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