Fibrilação Atrial

Fibrilação atrial (também chamada de FA) é um ritmo anormal do coração. A Fibrilação atrial é relativamente comum. afetando cerca de um milhão e 500 mil adultos no Brasil. A prevalência aumenta com a idade, e a idade média de desenvolvimento da Fibrilação Atrial, é cerca de 65 anos. A FA é mais frequentes em homens.

O que é uma Fibrilação Atrial?

Na Fibrilação Atrial (FA), a câmara superior do coração (átrio) não funciona corretamente devido a uma atividade elétrica anormal. Isso significa que o sangue não está fluindo tão eficientemente como deveria ser. O sangue que permanece no átrio, pode se movimentar mais devagar, o que gera a possibilidade de formação de coágulos. Essa maior tendência de formar coágulos pode aumentar o risco de se ter um AVC se não for adequadamente tratada.

Há duas formas de Fibrilação Atrial

Fibrilação Atrial Paroxística ou Intermitente: ocorre em episódios variados e resolve espontaneamente em até 07 dias.

Fibrilação Atrial Persistente, que dura pelo menos sete dias, e algumas vezes, um tratamento é realizado para restaurar o ritmo normal do coração.

Em muitos casos, mas não todos, a FA inicia-se como paroxística e progredi através do tempo para uma forma persistente.

Causas da Fibrilação Atrial

O risco de Fibrilação Atrial aumenta com a idade, e tipicamente ocorre em pessoas que tem uma causa desconhecida de doença cardíaca. Quase todos os tipos de de doença cardíaca pode aumentar o risco de desenvolvimento de arritmia cardíaca na forma de Fibrilação Atrial, porém as causas mais comuns são:

  • Hipertensão Arterial Crônica ocasionando lesões cardíacas
  • Após um Ataque Cardíaco (também chamado Infarto do Miocárdio)
  • Insuficiência Cardíaca (quando o coração demonstra falhas em ser efetivo no seu funcionamento, gerando sintomas como falta de ar, fadiga e inchaço nas pernas).
  • Doenças nas válvulas cardíacas, como por exemplo insuficiência mitral ou estenose mitral, secundária a febre reumática.
  • Uma complicação de cirurgia cardíaca, ou menos frequentemente outros tipos de cirurgia.

Outros comportamentos ou problemas médicos também são associados com um risco maior de desenvolver Fibrilação Atrial. Incluindo:

  • Álcool e excesso de ingestão alcoólica – o uso exagerado de álcool está associado a arritmias cardíacas, principalmente FA. Existe uma síndrome chamada de: Holiday Heart Syndrome, pois se notou o aumento de Fibrilação atrial após finais de semana ou feriado, onde o consumo de álcool, algumas vezes passa do limite pessoal.
  • Hipertireoidismo – A Fibrilação Atrial ocorre em aproximadamente 13 porcento da população com distúrbios da tireoide (hipertireoidismo).
  • Medicamentos – Drogas que estimulam o coração podem contribuir para o desenvolvimento de Fibrilação Atrial. Como exemplos, temos os medicamentos utilizados no tratamento da asma e Doença Pulmonar Crônica, terbutalina, teofilina, fenoterol (Berotec®), entre outros.
  • Apneia Obstrutiva do Sono – Há evidências de que a Fibrilação Atrial pode ser causada pela Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS)
  • Doenças Pulmonares, por exemplo, enfisema pulmonar, dentre outras variedades de pneumopatias.
  • Obesidade
  • Diabetes
  • Doença Renal Crônica ou Insuficiência Renal

Algumas pessoas com Fibrilação não tem uma causa bem definida. Quando ocorre em uma pessoa abaixo de 65 anos, sem nenhum problema de saúde associado, o risco de desenvolver coágulos e AVC é muito menor do que em pessoas mais idosas ou que tenham problemas de saúde associados (Insuficiência Cardíaca, Hipertensão, Diabetes, AVC prévio e ou Doença Vascular).

Quais os sintomas de Fibrilação Atrial (FA)?

Algumas pessoas não tem nenhum sintoma, enquanto outras tem uma variedade de sintomas.

Sintomas leves podem incluir:

  • Palpitações ou irregularidades no batimento cardíaco
  • Desconforto torácico leve (sensação de aperto) ou dor
  • Uma sensação de disparo no coração
  • Tontura
  • Leve falta de ar e fadiga, especialmente ao se esforçar

Alguma pessoas podem ter sintomas graves, como:

  • Dificuldade para respirar
  • Dispneia ou falta de ar aos esforços físicos
  • Desmaio, ou pré-síncope (sensação de que vai desmaiar) devido a uma redução do fluxo sanguíneo para o cérebro
  • Dor no peito ou dor torácica forte
  • Fadiga acentuada

Risco de AVC (Acidente Vascular Cerebral Isquêmico)

Uma séria complicação associada a Fibrilação Atrial é o AVC, que pode levar a um dano cerebral permanente. Um AVC pode ocorrer devido a um coágulo formado no átrio esquerdo, que libera na circulação, pequenos pedaços (chamado êmbolos). Os êmbolos circulam e acabam entupido e interrompendo o fluxo sanguíneo de pequenos vasos. Quando essa oclusão ocorre no vasos do cérebro, ocorre o AVC isquêmico. Um êmbolo também pode migrar e prejudicar os olhos, rins, medula espinhal, ou importantes arteriais dos braços e das pernas.

O risco de AVC aumenta com a idade.

Outros fatores de risco incluem diabetes, pressão arterial alta, doença das artérias coronarianas (incluindo Infarto prévio), doença arterial periférica, Insuficiência Cardíaca, e episódios prévios de AVC ou embolismo.

Discutiremos posteriormente tratamentos que podem ser realizados para diminuir o risco de AVC.

Quando os sintomas do AVC se resolvem completamente em 24 horas, é chamado AIT (Ataque Isquêmico Transitório). Ter um ataque isquêmico transitório eleva o risco de ter um AVC no futuro.

Diagnóstico de Fibrilação Atrial, como se faz?

A fibrilação atrial é diagnosticada com um eletrocardiograma (ECG). A FA também pode ser detectada através de um holter de 24 horas. Alguns casos é necessário estender a monitorização da atividade elétrica do coração por mais do que 24horas para diagnosticar uma Fibrilação Atrial, realizando um Looper.

Outros testes, como por exemplo o ecocardiograma, são fundamentais para procurar por alterações na estrutura cardíaca. Exames de sangue, TSH por exemplo, também são importantes. De acordo com a história clínica do pacientes, outros testes, como estudo do sono, podem ser indicados.

Tratamento da Fibrilação Atrial

Há múltiplos componentes do manejo da Fibrilação Atrial. Se houve interesse pelo assunto, envie comentários, compartilhe esse artigo, que ficarei contente em escrever um novo post a respeito do tratamento da Fibrilação Atrial.

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Dr. Rafael Otsuzi

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