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Multivitamínicos: o que você precisa saber antes de tomar

a verdade sobre multivitaminicos

Olá, pessoal, pacientes e leitores do Portal Medicina Ribeirão,

Aqui quem escreve para vocês é o Dr. Rafael Otsuzi. Hoje, trago um assunto muito discutido e importante: multivitamínicos. Esta informação foi extraída do UpToDate, um dos portais médicos privados mais renomados e de grande alcance. Para quem ainda não conhece, o UpToDate é conhecido por trazer informações confiáveis e atualizadas, baseadas em evidências científicas.

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Nesta primeira parte, vou disponibilizar a tradução na íntegra do conteúdo sobre multivitamínicos. Em seguida, destacarei as informações mais relevantes e de fácil entendimento para todos vocês.


Composição dos Multivitamínicos

A maioria dos multivitamínicos genéricos e de marca contém de 50 a 150% da Ingestão Dietética Recomendada (RDA) para todas as vitaminas essenciais, incluindo ácido fólico e vitaminas A, C, D, E, B2, B6 e B12. Existem variações específicas para diferentes grupos, como mulheres, homens, jovens e idosos.


Justificativa para Uso

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Multivitamínicos são usados com base na eficácia conhecida ou potencial de algumas vitaminas, segurança em doses baixas, baixo custo e conveniência de tomar uma única pílula.


Quando Considerar a Suplementação

Indicado para pessoas com risco de deficiência vitamínica, como aqueles com transtornos de uso de álcool, dietas pobres, má absorção, veganismo, histórico de cirurgia bariátrica, entre outros. Em alguns casos, podem ser preferíveis aos suplementos individuais.


Eficácia dos Multivitamínicos

Estudos indicam pouco ou nenhum benefício na prevenção de câncer, doenças cardiovasculares ou morte, com algumas exceções.

Eficiência — Não foi estabelecido que suplementos de multivitamínicos e minerais proporcionam benefício adicional a uma dieta equilibrada e saudável para a maioria dos indivíduos [108].

? Em uma revisão de evidências de 2021 para a Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos EUA (USPSTF), incluindo 84 estudos, a suplementação de vitaminas e minerais foi associada a pouco ou nenhum benefício na prevenção de câncer, doenças cardiovasculares ou morte, com exceção de um pequeno benefício para a incidência de câncer com o uso de multivitamínicos.

? Em um estudo conduzido entre 21.442 adultos mais velhos nos Estados Unidos, um suplemento diário de multivitamínicos e extrato de cacau não reduziu a incidência de câncer invasivo em comparação com placebo.


Segurança e Riscos

Os multivitamínicos não são regulamentados pelo governo nos EUA para garantir segurança e eficácia. A maioria das doses individuais é considerada segura, mas existem riscos potenciais, como fraturas de quadril, acidente vascular cerebral hemorrágico e cálculos renais.

Segurança — Nos Estados Unidos, o governo federal não regula suplementos alimentares (vitaminas, minerais e ervas) para garantir segurança e eficácia. Multivitamínicos são vendidos em uma variedade de combinações e doses, embora os fabricantes sejam obrigados a listar os conteúdos de maneira padronizada, facilitando para os consumidores comparar marcas.

Doses individuais de vitaminas em multivitamínicos são seguras para a maioria dos adultos. Como exemplos, a dose de vitamina E está bem abaixo dos níveis relatados para causar um aumento na mortalidade geral, e a dose de beta-caroteno está bem abaixo dos níveis associados ao câncer de pulmão. A dose de ácido fólico também é menor do que a encontrada para aumentar potencialmente o risco de câncer.

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No entanto, há riscos potenciais de danos com a suplementação de vitaminas. Em uma revisão de evidências de 2021 para a USPSTF, incluindo estudos de multivitamínicos multicomponentes, embora os efeitos adversos tenham sido raros, alguns suplementos foram associados a um risco maior de danos graves (fratura de quadril [vitamina A], acidente vascular cerebral hemorrágico [vitamina E] e cálculos renais [vitamina C, cálcio]). Além disso, algumas formulações de vitaminas vendidas sem receita podem conter várias vezes a RDA de vitamina B12 e devem ser evitadas.

Além disso, algumas pessoas podem ser prejudicadas por doses comuns de vitamina A. Como exemplo, a vitamina A tem sido mostrada em estudos observacionais como um fator de risco para osteopenia e fraturas na faixa ingerida por uma proporção substancial da população adulta nos Estados Unidos. Pessoas com risco aumentado de osteopenia, ou com ingestão dietética relativamente alta de vitamina A, não devem tomar suplementos adicionais contendo vitamina A. Além disso, a vitamina A é teratogênica em doses tão baixas quanto 10.000 unidades diárias de suplementação [69]. Embora os fabricantes estejam reduzindo a quantidade de vitamina A em multivitamínicos, a suplementação, mesmo com menos de 100 por cento da RDA, não parece prudente em pessoas que de outra forma estão em risco aumentado.


Continuando a discussão sobre multivitamínicos, vamos agora explorar alguns aspectos importantes que vão além das informações fornecidas pelo UpToDate. É fundamental entender que, além da falta de benefícios comprovados na maioria dos estudos, existem outras considerações relevantes a serem feitas sobre o uso desses suplementos.

Qualidade dos Minerais em Multivitamínicos

Muitas vezes, os minerais presentes nos multivitamínicos são de baixa qualidade. Isso significa que eles podem não ser absorvidos eficientemente pelo corpo, reduzindo assim a eficácia pretendida do suplemento.

Tolerância e Interação entre Minerais

O organismo pode desenvolver tolerância ao uso contínuo de alguns minerais. Isso leva a uma menor absorção desses minerais, o que pode resultar em interações negativas com outros minerais, prejudicando a absorção destes últimos. Isso é particularmente importante porque pode levar a desequilíbrios nutricionais, mesmo quando se consome um multivitamínico que aparentemente contém uma gama completa de minerais.

Suplementação em Casos Específicos

Em situações específicas, como no caso de pacientes pós-cirurgia bariátrica, os multivitamínicos são frequentemente indicados. No entanto, mesmo nestes casos, eles podem não ser suficientes. Esses pacientes muitas vezes precisam complementar sua dieta com outros compostos ou suplementos específicos para atender às suas necessidades nutricionais. Isso demonstra que, mesmo quando um multivitamínico contém uma ampla gama de nutrientes (de A a Z), ele pode não fornecer tudo o que uma pessoa precisa de maneira específica e personalizada.

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Portanto, é importante entender que, embora os multivitamínicos possam parecer uma solução completa para as necessidades nutricionais, eles não garantem a reposição adequada de todos os nutrientes necessários para cada indivíduo. A suplementação deve ser sempre feita de maneira consciente e, idealmente, sob orientação de um profissional de saúde, para garantir que as necessidades nutricionais específicas de cada pessoa sejam atendidas de forma adequada e segura.


No final do artigo do UpToDate, uma consideração importante é feita, especialmente relevante para nós, médicos, na nossa abordagem com os pacientes. Apesar de estarmos cientes de que para muitos pacientes os multivitamínicos não trarão benefícios significativos, é aconselhado que não lutemos contra as crenças individuais de cada paciente. Este conselho reconhece a complexidade das escolhas pessoais em saúde e a importância do respeito às decisões individuais dos pacientes.

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Implicações Práticas para Médicos

  • Respeito às Crenças Individuais: É essencial respeitar as preferências e crenças dos pacientes, mesmo quando elas podem não estar totalmente alinhadas com as evidências científicas.
  • Orientação Consciente: Enquanto médicos, devemos fornecer informações baseadas em evidências, mas também compreender e respeitar as escolhas dos pacientes.

Impacto para o Paciente

  • Custo-Benefício: Pacientes que optam por multivitamínicos sem necessidade específica podem estar incorrendo em despesas desnecessárias. Estes recursos poderiam ser mais bem empregados em outras áreas da saúde ou na compra de alimentos nutritivos.
  • Alternativas Alimentares: Em vez de depender de suplementos, enfatizar a importância de uma dieta rica e balanceada. Alimentos como frutas, vegetais, grãos integrais, e proteínas magras são fontes naturais de vitaminas e minerais. Exemplos incluem:
    • Frutas e Vegetais: Ricos em vitaminas, minerais e fibras.
    • Peixes e Carnes Magras: Fontes de proteínas e minerais como ferro e zinco.
    • Grãos Integrais: Fornecem vitaminas do complexo B e fibras.
    • Laticínios ou Alternativas Vegetais Enriquecidas: Fontes de cálcio e vitamina D.

Embora o uso de multivitamínicos seja uma prática comum e muitas vezes baseada em crenças pessoais, como profissionais de saúde, nosso papel é orientar os pacientes para que façam escolhas informadas e saudáveis. Encorajar uma alimentação balanceada e consciente é um passo crucial para garantir que os nutrientes sejam obtidos de fontes naturais, potencialmente reduzindo a dependência de suplementos e promovendo um estilo de vida mais saudável e sustentável.


Para ilustrar a importância de uma suplementação consciente e personalizada, podemos fazer uma analogia interessante com uma pessoa que está planejando uma viagem internacional. Imaginemos que essa pessoa precisa trocar seu dinheiro, o real, por moedas estrangeiras.

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A Analogia da Viagem e Troca de Moedas

  • Suplementação Indiscriminada: Pegar o equivalente a 10 dólares em todas as moedas do mundo (de A a Z) seria como tomar um multivitamínico que contém uma variedade de nutrientes sem considerar o que o corpo realmente precisa. Assim como ter diversas moedas que não serão utilizadas na viagem, tomar nutrientes sem necessidade pode não ser benéfico e até mesmo atrapalhar.
  • Suplementação Personalizada: Por outro lado, saber exatamente quais moedas serão necessárias para a viagem, como euros para a Europa, e focar em obter essas moedas em quantidades apropriadas, equivale a uma suplementação direcionada às necessidades específicas do indivíduo. Assim como a pessoa que viaja precisa saber quais moedas usar e em que quantidade, o uso de suplementos deve ser baseado nas necessidades específicas de vitaminas e minerais do indivíduo.

Conclusão e Convite para o Vídeo

  • Escolhas Informadas: Assim como na troca de moedas para uma viagem, na suplementação é crucial saber quais “moedas” (nutrientes) são necessárias e em que quantidades. Uma abordagem indiscriminada pode não ser apenas ineficaz, mas potencialmente problemática.
  • Convite ao Vídeo: Para uma compreensão mais detalhada e insights adicionais, convido todos a assistirem ao vídeo onde discutimos essas questões mais profundamente. Lá, expandimos sobre como uma abordagem personalizada e consciente em relação à suplementação pode ser mais benéfica para a saúde do que o uso genérico de multivitamínicos.

Este vídeo é uma oportunidade para explorar a importância de uma suplementação responsável, entendendo que nem sempre “mais é melhor”, especialmente quando se trata de nossa saúde e bem-estar.

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